sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Eu conservo a MISSA TRADICIONAL

Declaração do Reverendíssimo Pe. Calmel, OP

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Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V. no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.

Por quê? Porque na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.

Se aceitarmos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?

Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.

Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranqüilamente: "Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna”.

Reconheço sem nenhuma hesitação a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “A Missa”, escreve ele em seu Ordo Missae, “é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se tornam realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece, de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.

Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um caráter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar sua assembléia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.

Portanto, não só a simples honestidade mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.
Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.

Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e sem equívoco.

Tuus sum ego, salvum me fac.
Pe. R.-TH. Calmel, O.P.

fonte : fsspx

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Segundo o Concílio de Trento – Missa de S. Pio V - a MISSA é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário, oferecida a Deus por um sacerdote em nome dos fiéis, e que, ao pronunciar as palavras da Consagração, ‘empresta’ a sua voz a Nosso Senhor (o faz na PESSOA DE CRISTO - “IN PERSONA CHRISTI”). Na realidade, é CRISTO NOSSO SENHOR e ÚNICO SACEDOTE que celebra a Missa, pois só Ele pode dizer “ISTO É O MEU CORPO.... ISTO É O MEU SANGUE”. Daí resulta que a Missa de S. Pio V é celebrada sobre um ALTAR (próprio para “SACRIFÍCIO” a Deus), por um sacerdote, voltado para Deus e de costas para o POVO, ou seja, o sacerdote, representando o povo diante de Deus, fala voltado a Deus, dando as costas aos seus representados... não tem cabimento um representante de um grupo qualquer dirigir-se a um superior voltado ao próprio grupo, dando as costas ao superior!.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Muçulmana abraça fé católica junto a capelão do exército americano no Iraque

Uma mulher muçulmana está cada dia mais perto de converter-se ao catolicismo da mão do Pe. Jose Bautista-Rojas, capelão dos fuzileiros navais católicos dos Estados Unidos na região de conflito no Iraque. Um correspondente da agência Catholic News Agency (CNA) narrou a comovedora história da zona de guerra.

"Enquanto trabalhava com os americanos, esta mulher, que deve ficar no anonimato, sentiu-se questionada no mais profundo ao ver que o pessoal médico dos Estados Unidos não só cuidava de seus compatriotas e aos civis iraquianos feridos mas também aos do grupo inimigo cansados em combate, inclusive alguns que tinham assassinado um fuzileiro naval", escreve Joe Burns do CNA."

A grande compaixão mostrada inclusive com os soldados inimigos levou a mulher ao seguinte passo. Pediu-lhe ao Padre Bautista-Rojas que lhe ‘contasse mais sobre Jesus’. Ao conhecer o Evangelho, a mulher islâmica a quem o sacerdote chamou ‘Fátima’ (que não é seu nome real), chamou-lhe muito a atenção o tratamento de Jesus com ‘as duas Marias’. Fátima se questionou por ver como Jesus ama profundamente a Maria, sua mãe, Imaculada, e como amava também com profundidade a Maria Madalena, ‘a grande pecadora’. Neste diálogo Fátima lhe disse ao Pe. Bautista-Rojas: ‘quero ser cristã".

O sacerdote então lhe pediu para ver outros capelães cristãos. Logo depois de um tempo, escreve Burns do CNA, Fátima voltou a procurar o Pe. Bautista-Rojas e lhe disse: "Quero ser católica como você". Ao perguntar o sacerdote por que tinha elegido o catolicismo, ela respondeu. "você foi o único que me falou dos outros cristãos, assim me deu liberdade para escolher. Assim soube que esta era a decisão correta".

Em que pese a ter sido ameaçada por seu pai sendo deserdada e não voltar a ver sua família nunca mais, Fátima não duvidou em sua opção. Com cautela, o Pe. Bautista-Rojas lhe pediu que reconsiderasse a decisão que estava tomando.

"Fátima –escreve Burns– fez uma pausa por um momento e olhando ao Padre Bautista-Rojas lhe perguntou: ‘Tão rápido se dá por vencido com Jesus?’ A pergunta golpeou ao sacerdote e em seguida pensou: ‘Isto é incrível, esta mulher muçulmana já está dando testemunho sobre quão importante é minha fé!"

Fonte: ACI
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"Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou?" (Mt 18,12)

"Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor". (Jo 10,16)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Cantos da Santa Missa



(clica no nome das músicas para ouvir)


Latin Ad ritus initiales




-Signum crucis In nomine Patris, ou tonus simples




-Formula salutationis Gratia Domini, ou Gratia vobis, ou Dominus vobiscum (simples), ou Dominus vobiscum





Ad ritum paenitentialem







-Kyrie XVI, ou outras configurações do Kyriale Romanum



-Post collectam (qui tecum vivit) , (qui vivis) ;



-Post collectam sollemnis (qui tecum vivit) , (qui vivis)




Ad liturgiam Verbi




-Tonus simples A, B, tonus sollemnis






















-Evangelium Tonus A , B , C






-Oratio fidelium (Credo) - A , B , C , D , E






-Post alias orationes A , B




Ad liturgiam eucharisticam






-Praefatio - tonus simplex , sollemnis





-Prex eucharistica I , I (solemn) , II , III , IV







-Pater noster A , B , C













-Agnus Dei or other setting from the Kyriale








Ad ritus conclusionis













tonus solemmnis



Depois da Missa












Voz e direitos autorais pertencem a Fr. Christopher J. Pollard, Front Royal, Virginia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Missa de Sempre

“O monte Calvário é o monte dos amantes. Todo o amor que não tiver por origem a Paixão do Salvador é frívolo e perigoso” (São Francisco de Sales, Tratado do Amor de Deus, Livro XII, Capítulo XIII).

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E enquanto o Padre não compreender que a sua razão de ser é o Sacrifício, que a sua Ordenação o ordena ao sacrifício, e Sacrifício de Nosso Senhor na Cruz, o padre não saberá, verdadeiramente, o que é, quem é. O Padre sem Missa, sem Sacrifício, é um olho sem visão, uma orelha que não houve, pés que não andam.(Monsenhor Fellay)

Que o amor à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja em vossa alma.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Sete Pastores Luteranos voltam-se ao Catolicismo

Sete Pastores Luteranos voltam-se ao Catolicismo depois de retiros inacianos da SSPX.TALLINN (REVAL, Estônia) – De 6 a 11 de novembro Pe. Karl Stehlin, sacerdote da Sociedade Pio X baseado em Varsóvia, pregou os Exercícios Inacianos para sete pastores luteranos a pedido dos mesmos. Durante esses dias ele foi permitido celebrar a Santa Missa em uma das mais antigas igrejas da Estônia, que foi construída há 790 anos atrás.

Foram dias de muitas graças, segundo expressaram posteriormente todos os participantes. Os pastores luteranos ficaram particularmente impressionados pela forma profunda e meditativa que Santo Inácio de Loyola ensina a contemplação da vida de Jesus pela Sagrada Escritura. Um dos sete luteranos participante disse que finalmente compreendeu durante os exercícios inacianos como ler a Bíblia de forma compreensiva e meditativa. Um outro disse: “Eu descobri Maria!” Todos rezaram com muita alegria o Santo Rosário todos os dias. Os pastores também querem chamar a atenção de seus próprios fiéis para o Rosário.

Acima de tudo, os participantes elogiaram a lógica miraculosa, a unidade e harmonia da fé Católica Romana, que brilhou radiantemente durante os exercícios. Rezemos, nós Católicos, que esse retiro inaciano traga ricos frutos, que muitas pessoas da Estônia sejam trazidas para a verdade eterna de nossa santa Fé Católica. (FSSPX na Alemanha).

fonte-Le forum catholique

Pastor luterano abandona sua igreja para se dedicar a Igreja Católica

O pastor luterano Sten Sandmark, da Igreja de Oskarshamn localizada na costa leste da Suécia e frontal a pitoresca Ilha de Gothland, transmitiu verbalmente através dos meios de comunicação suecos e alemães, sua decisão de abandonar a igreja luterana para se “dedicar” exclusivamente a Igreja una, santa, católica e apostólica. O pastor Sten, vem empreendendo há quase 1 (uma) década um caminho espiritual em busca da verdade à respeito da Igreja Católica. As autoridades locais, especialmente o bispo de Estocolmo – o único bispo católico da Suécia –, o havia recebido com certas reservas, lhe explicando inclusive de uma marcha conjunta das igrejas irmãs, com relação ao Cristo universal. Segundo o pastor, o rito atual moderno da missa e a teologia contemporânea, o levaram a tomar uma decisão. “Não podia afastar-se do luteranismo para o encontrar em outra parte” (isto é, dentro da moderna Igreja Católica), declarou esta frase nas redes de televisão e na imprensa.

Em busca da verdadeira Igreja Católica, o rito sagrado da antiga Missa, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a veneração da Santíssima Virgem Maria, a teologia tomista, em resumo, tudo quanto foi rechaçado pelo dedicado Lutero e, mais recentemente, pela Igreja (Católica) conciliar. Espero pelo dia em que, face à necessidade de uma peregrinação a UNEC (União dos Países componentes da Europa Católica), o pastor Sandmark falou em sua própria igreja de Oskarshamn aquilo que busca ardentemente: a Santa Missa de sempre (Missa Tridentina). Se comoveu até as lágrimas. A cerimônia oficial do pastor em sua paróquia teve lugar domingo passado dia 30 de julho, no decorrer de uma Missa solene na igreja de San Nicolas Del Chardonnet.

A situação da igreja luterana na Suécia – que são poucas no estado sueco – se encontra cada vez mais tensa. Em outubro de 2005 foi autorizado matrimônio litúrgico entre casais homossexuais. Por outro lado a conduta moral e pública de bispos e “bispas” protestantes são cada vez mais escandalosas (muito dos bispos luteranos da Suécia são mulheres, e diversas delas se dizem lésbicas; um dos bispos de Visby de Gotland, se casou 3 vezes, etc.).

“Tudo isso me obrigou moralmente a sair de uma estrutura na qual não podia aparecer mais como um dos responsáveis”. Sten Sandmark se afasta da igreja luterana para encontrar a fé católica “na sua integridade”, e sobretudo “para salvar a minha alma”. E insiste: “Queremos voltar a partir do ponto de onde Lutero havia desertado, retornando ao caminho deste ponto”.

A seu modo de ver muitas paróquias do país haviam seguido os católicos, até com muitos detalhes litúrgicos no conteúdo da igreja luterana da Suécia, onde a “conversão” ao protestantismo no século XVI (16) havia se tornado assunto político e econômico nas esferas do poder. Após sua declaração, o pastor Sten deseja iniciar estudos no seminário da Fraternidade São Pio X (segue a linha tradicional, fundada por Dom Marcel Lefebvre) a fim de se converter em sacerdote católico e assim poder trabalhar na Suécia, começando por celebrar “a Missa de sempre” (Missa Tradicional)

Que Santa Brígida, padroeira da Suécia e co-padroeira da Europa Cristã, o acompanhe em sua valente jornada e em seu futuro apostolado! (Padre Xavier Beauvais)

Da Revista: Iesus Christus – n° 5 Mayo/Junio - 2006

Mas reservarei em Israel sete mil homens, que não dobrarão os joelhos diante de Baal...” (I Reis 19, 18)

Uso do latim na liturgia

Alguns textos do Magistério sobre o uso do latim na liturgia:

"A Língua Latina é a língua própria da Igreja Romana" (Papa São Pio X, Encíclica Inter Pastoralis Officii).

"O uso da Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina." (Papa Pio XII, Encíclica Mediator Dei, nº 53)

"Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. – Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia." (Papa João XXIII, Encíclica Veterum Sapientia).

"Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 36, § 1)

"Providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em Língua Latina as partes do Ordinário que lhes competem." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 54)

"Faça-se a celebração eucarística em língua latina ou outra língua, contanto que os textos litúrgicos tenham sido legitimamente aprovados." (Código de Direito Canônico, Cân. 928)

"Missa se celebre quer em língua latina ou quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que têm sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim." (Instrução Redemptionis Sacramentum, nº 112)

"O que acabo de afirmar não deve, porém, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, às celebrações que têm lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia" (Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, nº 62).

"Se alguém disser que o rito da Igreja Romana (...) só se deve celebrar a Missa em língua corrente [vernácula](...), seja excomungado" (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, cânon 9).

As palavras do Papa João Paulo II em sua belíssima Encíclia Ecclesia de Eucharistia, § 9:"Como não admirar as exposições doutrinais dos decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmático para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus na sua fé e amor à Eucaristia".

O Latim na liturgia I

Latim:Dicionário de latim
Pe. V.-A. Berto

Tantas razões e tão decisivas em favor da manutenção do latim como língua litúrgica na Igreja Ocidental, tão pobres e tão desastrosos os pretextos invocados em favor das línguas vulgares, que temos dificuldade de nos incumbirmos de examinar uma mera questão, sobre a qual não deveria existir senão uma opinião, não apenas entre os católicos, mas entre os civilizados. Certamente, não teríamos pensado em colocar esta questão do latim na liturgia, nem imaginado que alguém pudesse fazê-lo. Todavia, vemos que a colocam, recolocam, debatem e disputam. Sem provas propriamente ditas — mas com muitos indícios convergentes que equivalem a uma prova — temos o sentimento de estar em presença de homens muito determinados em seu empreendimento, decididos a aproveitar todas as ocasiões para suprimir o latim, para forçar a Santa Sé, para colocá-la, se puderem, perante um fato consumado, até o dia — para eles, desejável, para nós, nefasto (mas esse dia nunca virá) — em que a autoridade soberana, julgando a causa perdida, resolver-se a canonizar o emprego litúrgico das línguas vulgares.


Deduziremos por ordem nossos argumentos nesta “defesa e ilustração”, não do “latim litúrgico”, pois que não fazemos aqui absolutamente um estudo de gramática ou de estilo, mas do emprego da língua latina na liturgia.



"A religião católica é o sangue de nossas veias”, podemos dizê-lo tão sinceramente quanto o dizia Baumann, e nos é certamente difícil imaginar o que seríamos fora desta religião, única verdadeira. Contudo, estamos persuadidos de que, mesmo se não fôssemos sacerdotes ou mesmo católicos, a supressão do latim como língua litúrgica seria ainda, aos nossos olhos, uma catástrofe para a humanidade.


A multiplicidade das línguas é uma disposição providencial que a Sagrada Escritura apresenta como um castigo. Ora, no Antigo Testamento não há somente figuras diretas das realidades do Novo, mas também figuras inversas, e Babel é figura inversa de Pentecostes, donde se segue que nenhuma outra comunidade de língua se pode esperar para o gênero humano senão a que procede da Igreja. Não no sentido de que a Igreja deva se esforçar para fazer desaparecer a diversidade de línguas vulgares, pois todas podem levar sua mensagem e, como diz Santo Agostinho: “todas as línguas nos pertence a nós, católicos, porque pertencemos ao corpo que as fala todas”; não mesmo no sentido de que a Igreja tenha a obrigação de superpor às outras línguas uma língua litúrgica comum, mas no sentido de que, de fato e como por acréscimo, se a Igreja escolhe uma língua para sua oração oficial, à difusão da Igreja naturalmente corresponderá a difusão desta língua, que será, desde então, sinal e fator de uma unidade humana que jamais será perfeita em sua ordem, pois somente a Igreja em si mesma é perfeitamente una cá embaixo, mas que, não obstante, tão imperfeita quanto possa ser, é um valor infinitamente precioso de civilização.


No momento presente, todos homens cultos têm, quer mais quer menos, algum conhecimento de latim[1]. Isso não é suficiente para que se entendam! Mas enfim, já é alguma coisa, por menor que seja, que têm em comum e, suprimido o latim, teriam algo a menos em comum.


Ora, se excetuarmos os professores de letras e alguns amadores, que ocasião teriam os homens cultos dos quais falamos de exercer seu conhecimento de latim? Nenhuma ou quase nenhuma, se não são católicos; mas se são católicos, devem se utilizar de uma tradução durante os ofícios; ora, há em todo o mundo algumas dezenas de milhões de católicos cultos! Deixemos de lado, no momento, o laço que isto estabelece entre eles como católicos, voltaremos a isto depois; o latim sempre os aproxima um pouco enquanto homens cultos. Se é necessário manter e reforçar aquilo que os aproxima, deve-se portanto conservar, como um bem inestimável, o emprego litúrgico do latim.


Não se instituirá uma língua universal por esta razão sobrenatural de ter existido Babel, pois os homens não cessam de querer construir Babel, quer dizer, de tentar se unir fora da Igreja, e Deus não cessa de destruir seu trabalho, querendo que não busquem a unidade senão na Igreja. Não se instituirá uma língua universal pela razão natural de que então não seria preciso instituir, mas fabricar uma língua, e uma língua não se fabrica; não seria preciso, fosse ela fabricada, introduzi-la, mas impingi-la, e não se impinge uma língua. Mas há uma língua, e é precisamente o latim, que quase exclusivamente até o final do século XVII, e muito consideravelmente até o início do nosso, por ser a língua supranacional da Igreja, a língua internacional das elites intelectuais. Não sabemos se este costume de escrever os trabalhos científicos em latim reviverá; porém, muito certamente era um costume bom, polido, honesto, cortês, cômodo aos estudiosos, altamente humano. A supressão do latim destruiria de vez o pouco que restava. Chamaremos a isso progresso?


Não queremos dizer que o latim será jamais uma língua universal, no sentido em que a entendem os diversos criadores de esperantos (que entre si formam, ademais, uma pequena Babel suplementar, o que não é desprovido de ironia). O que dizemos é que ainda é uma língua, senão falada, ao menos conhecida e compreendida por grande parte das elites e com a qual, por toda a terra, o povo católico de rito romano tem alguma relação; que é um poderoso fator de unidade entre os homens; que o uso do latim na liturgia, que foi a causa principal de sua difusão, permanece sua principal garantia, e que só por este fato se faz necessário conservá-la.

De nada adianta dizer que o latim poderia se conservar como uma língua de comunicação erudita, que Leibniz era protestante e Espinoza judeu, Bergson e Boutroux agnósticos no tempo em que compunham suas teses secundárias, e que isto não impediu estes pensadores de escrever em latim. Isso é assim porque eles viviam sobre o tesouro da Igreja, acumulado durante séculos e tornado, pela generosidade da Igreja, bem comum da humanidade. Por outro lado, não devemos pensar apenas nos mandarins, a uma espécie de difusão horizontal do latim nas classes esclarecidas, o que não faria senão isolá-las ainda mais das classes inferiores. Escrevemos isso um dia após o Soberano Pontífice ter decretado, na presença de cento e cinqüenta mil trabalhadores manuais, a instituição da festa de São José Operário. Por mais que estejamos convencidos da necessidade das elites em uma sociedade bem ordenada, não consentimos que elas se transformem em uma casta; não cremos que ele possa ser indiferente a que um coração um pouco generoso como o do “homem da rua”, o mineiro ou o pescador, participe em alguma medida (medida esta que podemos sempre aumentar, como veremos) do uso do latim. Ora, desta difusão “vertical”, ela também unificadora, a liturgia é o único meio, absolutamente o único. E só por isso, ainda, trabalhar contra o latim na liturgia é trabalhar contra a civilização.



Suprimido o latim, os textos litúrgicos latinos e os cantos litúrgicos em latim tornam-se peças de museu, e não de um museu visitado pelo povo, nem mesmo de um museu acessível aos homens de cultura mediana, mas de um museu reservado a alguns iniciados e refinados. Dizemos: “nem mesmo de um museu acessível aos homens de cultura mediana”, pois estes, como nós já ressaltamos, só se lembram que rosa é rosa e templum é templo por causa da liturgia. Eliminado o latim da liturgia usual, todo o latim se perde para eles, e à perda de um elemento de unidade se acrescenta a não menos desastrosa perda de uma parte imensa, uma das mais belas, a mais bela segundo muitos dentre os quais nos incluímos, do patrimônio artístico do gênero humano. Do ponto de vista em que agora nos colocamos, o ódio antilatino é comparável ao furor iconoclasta. É como se, para libertar a estética cristã das formas do passado e dar ao século XX edifícios religiosos melhor adaptados à piedade, uma horda de adaptadores energúmenos pretendesse dinamitar Chartres, Reims e Paris, estes monumentos ultrapassados. O crime, na ordem literária e musical, equivaleria a tornar definitivamente inacessíveis a quase todos os cristãos (que ainda consideramos aqui enquanto homens e não, formalmente, enquanto cristãos) o Missal, o Gradual e o Antifonal romanos.


Seríamos intermináveis se empreendêssemos o elogio artístico destas maravilhas. Mas se beleza literária é a expressão sonora, abundante, em estilo lírico ou oratório, de uma idéia majestosa, é preciso dizer que nem Píndaro, nem Goethe, nem Shakespeare, nem Dante têm nada que supere, segundo nossa opinião (e não estamos sós), nada que alcance o Prefácio da Consagração das Virgens, o Exsultet da Vigília Pascal, o Stabat da Paixão, o hino de Natal ou o Decora lux com a estrofe que tira lágrimas dos olhos: “O Roma felix”. Comparamos picos com picos e, naturalmente, só nos ocupamos do que foi composto em latim, deixando de lado os textos da Sagrada Escritura, que são uma tradução, ainda que esta tradução, filologicamente discutível, seja, do ponto de vista literário, uma obra-prima. Em uma ordem menos sublime, podemos tomar quase ao acaso as orações do Missal (exceção feita, o que não é por acaso, às mais modernas), os exorcismos e as bênçãos do Ritual: a beleza literária está por toda parte; por toda parte a poesia, as palavras que, por seu sentido e som conjuntos, imediatamente suscitam, como se diz depois de Péguy, o “clima” do mistério celebrado; por toda parte o achado poético, nobre ou suave; em nenhuma parte o despropósito, a ostentação, a ênfase, a obscuridade, a tortura refinada da língua; mas na luz da aurora — Aurora coelum purpurat — ou do meio-dia — ignibus meridiem — ou do crepúsculo — Te lucis ante terminum — evocada por gênios desconhecidos de coração absolutamente simples, tudo se exprime com gênio e simplicidade. “Jesus Cristo disse coisas tão grandes de modo tão simples, que parece que as falou sem pensar, mas, contudo, falou de modo tão claro, que bem compreendemos o que delas pensava; esta união de claridade e singeleza é admirável.” Este pensamento de Pascal, ele mesmo admirável, se aplica a toda página dos livros litúrgicos latinos.

Há um exorcismo contra os ratos (infelizmente, temos ocasiões demais de celebrá-lo) que é uma pura jóia de poesia franciscana, onde se ordena a estes animais, em nome do Senhor que os criou, de se retirarem, porém, se ordena com uma tal cortesia, com uma delicadeza tal, que eles não poderiam realmente ficar insensíveis. E se retirarem para onde? Não se diz. Talvez para a casa do vizinho, mas isso é com ele, que, assim, também chamará um exorcista, e os ratos terminarão indo para o campo. Nada falta a este poema perfeito em dez linhas, nem mesmo este véu de graciosa ironia, que lembra Banville: si parva licet componere magnis.



É tudo? Não é nem sequer a metade. Em sua maioria, estes textos ou foram compostos para uma melodia preexistente, ou resultaram na composição de um canto. Em música, os músicos têm competência, como os pintores em pintura, os escultores em escultura e os arquitetos em arquitetura. Ora, desde a sábia e paciente restituição das melodias rítmicas gregorianas pelos beneditinos, isolados e combatidos no início, depois apoiados e encorajados por São Pio X, não há mais um único músico que conteste o valor artístico do canto litúrgico. Seguramente, trata-se de arte religiosa; porém, faz parte da arte que a expressão corresponda a um fim; pode-se ser um pintor muito profano e reconhecer o valor dos afrescos de Fra Angélico como pintura religiosa; pode-se ser muçulmano ou budista e não ter construído senão galpões, e admirar a cúpula de São Pedro ou de St. Trophime de Arles como obras-primas da arquitetura religiosa cristã. Uma semelhante unanimidade se fez, e de modo definitivo, entre os músicos, no que se refere ao canto gregoriano. Ninguém pensa realmente que a oração cristã litúrgica poderia encontrar expressão musicalmente mais bela.


Na comunhão Vidimus stellam da Epifania, após a modulação inicial em menor em Vidimus — uma subida um tanto atrasada pelo salicus, uma descida em duas ternárias lá-sol-lá sol-fá-sol, leves como se de cristal, um passo suspenso mi-fá-ré, atenuado pelo som latino do u — explode uma extraordinária terça maior sol-si em stellam, que se poderia atribuir a algum Wagner, mil anos mais antigo que o outro, e que pode considerar-se seu igual.


Damos este exemplo, e damos apenas um para não dar cem. Ademais a análise melódica e rítmica de um trecho será sempre um privilégio, e nós consideramos aqui apenas o que em arte é ou pode ser, para muitos, fonte da emoção estética. Os antigos já diziam: “o belo é o que, ao se ver, agrada”, pulchrum est quod visum placet, definição menos complicada que a de Kant, e na qual basta mudar uma palavra para que convenha ao belo musical: pulchrum est quod auditum placet: o belo é o que, ao se escutar, agrada; algo cuja audição agrada. Sempre haverá pessoas (o que de todo coração lamentamos) que jamais saberão distinguir um dó de um ré, e que um ternário mal executado não as perturbará; elas não se abalarão por tão pouco. São monstros, e de casos teratológicos não nos ocupamos nesse momento; falamos do homem normalmente constituído. E Dizemos que com um mínimo de educação musical, ou mesmo sem nenhuma, o homem capaz de emoção estética não pode não experimentá-la ao escutar cantar o arrebatador Spiritus Domini de Pentecostes, ou o jubiloso Allelluia da Páscoa, ou o gradual, recolhido de início e bem grave, em seguida rebentando em alegria, Tecum principium, da Missa da Meia Noite. Ainda uma vez supomos que o ouvinte sabe grosso modo a que palavras a frase musical, melódica e rítmica, está ligada, qual é o lugar do trecho na liturgia católica; mas, isto sendo dado, pode-se, mais uma vez, ser muçulmano, budista ou agnóstico que, mesmo mediocremente dotado, reconhecerá a beleza; se é artista, quando mais o for, mais se encantará com tamanha perfeição artística.


Fazemos mal em dizer que, se a civilização não é apenas a abundância do útil, mas a abundância e a superabundância do honesto e do belo, a dissimulada intriga antilatina é um empreendimento de selvagens? Ora! Que se privem os homens de tanta beleza distribuída à profusão! Que despojem a Igreja da glória de ter sido inspiradora, de permanecer depositária e dispensadora inesgotável de tantas magnificências, tão próprias para elevar os homens quanto para uni-los nas admirações comuns! Que lhe retirem este testemunho brilhante de seu benefício para lá de sua esfera própria, este “extra” evangélico que, ademais, ainda lhe é próprio, pois ela não divide a honra com nenhuma outra instituição; que lhe deu títulos imortais ao reconhecimento universal; que pode mesmo atrair para si os mais nobres dentre os homens, sem lhe pedir nada em compensação, rigorosamente nada, senão a banalidade, a superficialidade, o mal gosto desenfreado, a baixeza de expressão verbal e musical! E este inimaginável rebaixamento proposto por aqueles que nos enchem os ouvidos da “apologética da porteira ”! Na verdade, é preciso não saber mais se envergonhar!



Seja tão selvagem quanto queira, nos dirão talvez, não importa, é preciso ser selvagem com os selvagens; É preciso ser bárbaro com os bárbaros. O que pensa ainda estar conservado, já está perdido. Ninguém mais sabe latim, o que, ademais, há séculos o povo comum cristão não sabe. E quanto ao valor artístico dos textos e cantos litúrgicos em latim, não é mais percebido pelos homens de cultura mediana, mas somente por especialistas, em prol dos quais não se pode, em matéria religiosa, conservar algo em detrimento da massa que se quer converter. Mais um pouco, vamos aos bárbaros e que pereça a liturgia em latim, desde que a Igreja seja dilatada.


Responderemos a estes sofismas, mostraremos sua inconsistência, mas o faremos mais facilmente quando tivermos considerado o emprego do latim na liturgia não como o fizemos aqui, segundo seu valor “civilizante”, mas segundo seu valor propriamente cristão. Este será o objeto de nosso próximo artigo.


(Pensée Catholique, n. 38, 1955. Tradução: PERMANÊNCIA)



Nota:

[1] [N. da P.] Observe-se que, no tempo em que saiu publicado este artigo, o estudo do latim era normativo tanto nas escolas européias — algumas das quais dedicavam ao latim não menos que nove anos de estudo — como nas brasileiras. Quantos serão os homens de cultura hoje, no Brasil, que ainda guardarão lembrança do latim?

A LÍNGUA LITÚRGICA DA IGREJA

por Francisco Spirago
I.A língua latina convém ao culto católico porque é venerável, misteriosa e invariável.


A língua latina é venerável pela sua antiguidade: era a que empregavam os cristãos dos primeiros séculos para celebrar os louvores de Deus[1]. «Sente-se comoção e entusiasmo quando se ouve oferecer o Santo Sacrifício na mesma língua e com as mesmas palavras de que se serviam os primeiros cristãos nas profundidades sombrias das catacumbas» — A língua latina é uma língua misteriosa, porque, como língua morta, o povo não a compreende. Empregando-a dá-se a entender que no altar se passa alguma coisa que se não pode compreender alguma coisa misteriosa. Nos primeiros séculos do cristianismo, o altar estava encoberto por um véu desde o Sanctus até à Comunhão. Este uso desapareceu, mas existe sempre um véu diante do altar: é a língua latina que o povo não compreende, e que nos torna os santos misteriosos veneráveis. — Finalmente por ser língua morta é invariável e significa com isto a imutabilidade da doutrina católica, que não muda, como não mudam as formas desta língua[2], — Além disso, convém notar que os Judeus e os Pagãos se serviam, no seu culto religioso, de uma língua que não era a língua vulgar. Entre os Judeus, por exemplo, empregava-se o antigo hebreu, que era língua dos Patriarcas. Jesus Cristo e os Apóstolos assistiram ainda ao ofício divino que se celebrava nessa língua e a história não nos diz que Jesus Cristo e os Apóstolos hajam censurado esse costume. — Na Índia, o sânscrito é a língua sagrada, e difere dos dialetos que usa povo. — Os Gregos, quer os não unidos quer os unidos. empregam nas suas igrejas o grego antigo, e não o grego moderno ou vulgar. — Até na Igreja russa se servem grego antigo, ao passo que o povo fala o eslavo. — igreja anglicana emprega o inglês antigo. Só os Romenos unidos se servem, com aprovação de Roma, da sua língua materna.

II. A língua latina no serviço divino é muito útil à Igreja:


contribui para manter a sua unidade e evita muitos inconvenientes. A língua latina serve para manter a unidade na Igreja; liga entre si, e com a Igreja-Mãe de Roma, as Igrejas espalhadas pelo universo, e assim preenche em parte o abismo que separa os diferentes povos da terra. «A língua latina da Igreja faz de todos os povos e de todas raças do mundo uma só família de Deus; o reino de Jesus Cristo. O altar é cópia da Jerusalém celeste, em que todos os anjos e os santos cantam com uma voz unânime os louvores de Deus». Se a língua latina não fosse língua oficial da Igreja, seria impossível haver, nos concílios, uma discussão comum entre os bispos, uma troca recíproca dos pensamentos e dos pareceres dos teólogos e doutores de tantos povos diversos. Que enorme prejuízo daí viria à Igreja! A língua latina, que vem de recorda-nos também que pertencemos à Igreja romana e que foi de Roma, Igreja-Mãe, que os missionários foram enviados às nossas terras a espalhar nelas a fé católica: ela é, pois, uma exortação contínua à unidade. — A língua latina evita muitos inconvenientes; como língua morta, não varia: o sentido das palavras permanece o mesmo através dos séculos, o que não se dá com as línguas vivas, que mudam muitas vezes no decurso dos séculos. Se a língua litúrgica fosse uma língua viva, facilmente nela se introduziriam heresias. Por outro lado o latim evita que homens grosseiros abusem, fora dos ofícios divinos, das palavras e orações sagradas para fazerem com elas audaciosos gracejos, ou que mofem das coisas santas. — A Igreja todavia não teve a mínima idéia de manter os fiéis na ignorância do significado das funções sagradas: pelo contrário, ela ordena aos seus sacerdotes que expliquem a missa e as suas cerimônias, tanto na escola às crianças como no púlpito aos adultos (Conc. Trid. XXII, 8). Além disso, não é necessário que povo conheça todas as cerimônias nos seus mais pequenos pormenores. “Se entre os ouvintes alguns há que não compreendem palavra por palavra o que se reza ou canta, sabem contudo que se reza e canta em louvor de Deus, e isto basta para excitar a piedade” [3] (S. Agostinho; Tomás de Aquino.), De mais, a experiência ensina que a língua latina não impede nada a piedade dos fiéis; com efeito as nossas igrejas, apesar desta língua, estão de ordinário tão cheias, que não bastam para conter os fiéis. — A Igreja também não tem a intenção de depreciar a língua nacional, porque a emprega com freqüência na pregação, na administração dos sacramentos, no confessionário, nas devoções da tarde, nas orações depois da missa, etc.; portanto, se se emprega a língua latina na missa, mais do que nas outras funções litúrgicas, é porque a missa é um sacrifício e não uma prédica ou uma instrução para o povo. De mais, o padre deve recitar em voz baixa a maior parte das orações da missa, e o povo não as ouviria, portanto, mesmo, se fossem ditas em língua vulgar. “Além de que o santo sacrifício da missa consiste mais nas ações do que nas palavras; as ações, as cerimônias, os movimentos, falam suficientemente por si mesmos uma linguagem compreensível» (S. Roberto Belarmino). — Se, como alguns desejam, se empregasse exclusivamente a língua vulgar no culto divino, os indivíduos de nacionalidade diferente tornavam-se como estranhos à sua religião. O emprego da língua nacional diminuiria até o respeito que se deve ter à missa, assim como o zelo de assistir a ela, como a experiência o demonstrou no tempo da Reforma, quando, para imitar os protestantes, se haviam traduzido fielmente as orações da missa. Aqueles que desejariam se empregasse a língua nacional no serviço divino, viriam, quando muito, uma vez à igreja por curiosidade, para de novo se afastarem dela, porque não é a língua latina o que eles detestam, são as verdades da religião, que lhes advertem que mudem de vida. “Essas pessoas deviam ocupar-se menos de corrigir as palavras da boca do que os sentimentos íntimos dos seus corações”


(Mons. Sailer)Extraído do Catecismo Católico Popular, de Francisco Spirago


[1] Se bem que é verdade ter o grego, sob este ponto de vista, maior dignidade: por isso a Igreja Católica usa ambos os idiomas: porém no ocidente emprega comumente o latim, mais semelhante às nossas línguas modernas.

[2] Deste modo favorece a sua conservação, com a mudança das .palavras, variam também pouco pouco os conceitos.

[3] Muitas vezes se dá o caso de pessoas pouco instruídas, que assistem a uma ópera italiana, nada perceberem do diálogo: mas basta-lhes para deleite entender em conjunto a ação e perceber a beleza da música. Assim também, o que não entende o latim. percebe todavia a solenidade do culto e entra em sentimentos de devoção